Dentistas e Mounjaro: Uma Nova Abordagem no Tratamento da Apneia do Sono
A recente atualização das regras da Anvisa sobre o uso do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida, reacendeu debates importantes sobre limites profissionais e tratamento de condições relacionadas à obesidade. Publicada no final de 2025, a decisão ampliou as indicações do fármaco, permitindo sua utilização também em pacientes com apneia obstrutiva do sono (AOS) associada à obesidade. Com isso, abriu-se espaço para que cirurgiões-dentistas, em contextos específicos, possam prescrever o medicamento.
Uma Mudança que Altera o Cenário Clínico
Tradicionalmente usado para controle glicêmico e, mais recentemente, para manejo de peso, o Mounjaro ganhou uma nova indicação: o tratamento de AOS em pessoas obesas. Como a apneia do sono é uma condição que também faz parte do campo de atuação da Odontologia, especialmente da Odontologia do Sono, a possibilidade de prescrição passou a incluir profissionais dentistas que atuam nessa área.
Essa ampliação tem sido vista como uma adaptação necessária ao avanço dos estudos que conectam obesidade, alterações metabólicas e distúrbios respiratórios do sono. Na prática, ela reconhece que o dentista muitas vezes participa do diagnóstico e manejo da AOS, o que inclui avaliação funcional da via aérea e uso de dispositivos intraorais.
A Prescrição Não é Irrestrita
Importante destacar que não houve uma liberação ampla. O dentista não pode prescrever Mounjaro para emagrecimento nem para condições que não estejam diretamente relacionadas à apneia obstrutiva do sono. A autorização é válida somente quando o paciente apresenta AOS associada à obesidade, e ainda assim, dentro dos limites técnicos legais da prática odontológica.
Além disso, o uso do medicamento envolve riscos sistêmicos e exige acompanhamento criterioso. Por isso, a recomendação de especialistas é que a prescrição, quando cabível, seja integrada a um cuidado multiprofissional, envolvendo médicos do sono, endocrinologistas e outros profissionais pertinentes.
O Que essa Mudança Significa para o Paciente?
Para quem vive com apneia do sono e obesidade, a nova regra pode facilitar o acesso a tratamentos combinados e a uma abordagem mais completa. Dentistas especializados, que já participavam do diagnóstico e acompanhamento da AOS, agora podem integrar o tratamento medicamentoso ao plano terapêutico.
A novidade reforça a tendência de cuidado interdisciplinar, no qual diferentes profissionais colaboram para oferecer uma abordagem mais eficaz e personalizada.
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