Doença renal: conheça o tratamento com FILSPARI
O FILSPARI, cujo princípio ativo é o sparsentan, é um medicamento desenvolvido para o tratamento de determinadas doenças renais que podem provocar perda progressiva da função dos rins. O medicamento atua sobre mecanismos envolvidos na lesão renal e pode ajudar a reduzir a perda de função dos rins ao longo do tempo.
Atualmente, o FILSPARI é indicado nos Estados Unidos para adultos com nefropatia por imunoglobulina A (IgAN) que apresentam risco de progressão da doença. A bula norte-americana também passou a incluir a indicação para reduzir a proteinúria em adultos e crianças a partir de 8 anos com glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF/FSGS) sem síndrome nefrótica.
O que é a nefropatia por IgA?
A nefropatia por IgA, também conhecida como doença de Berger, é uma doença renal caracterizada pelo acúmulo de imunoglobulina A (IgA) nos glomérulos, estruturas responsáveis pela filtragem do sangue.
Esse processo pode provocar inflamação e lesões nos rins. Em alguns pacientes, a doença permanece estável durante anos; em outros, pode evoluir gradualmente para doença renal crônica e, em casos mais avançados, para insuficiência renal.
Entre as manifestações que podem aparecer estão sangue na urina, presença de proteínas na urina, pressão arterial elevada e redução da função renal. Entretanto, algumas pessoas podem não apresentar sintomas perceptíveis e descobrir a doença por meio de exames laboratoriais.
E a glomeruloesclerose segmentar e focal?
A glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF) é outra doença que afeta os glomérulos dos rins. Nessa condição, parte dos glomérulos apresenta cicatrização, comprometendo a capacidade de filtragem dos rins.
Um dos principais sinais é a proteinúria, ou seja, a eliminação excessiva de proteínas pela urina. Dependendo da evolução, a doença também pode levar à perda progressiva da função renal.
A indicação do FILSPARI para GESF nos Estados Unidos é destinada a pacientes a partir de 8 anos sem síndrome nefrótica.
Como o FILSPARI funciona?
O sparsentan possui um mecanismo de ação duplo. Ele bloqueia os receptores da endotelina tipo A (ETA) e da angiotensina II tipo 1 (AT1).
Esses dois sistemas estão relacionados à constrição dos vasos sanguíneos e a processos que podem contribuir para a lesão e a progressão das doenças renais.
Ao bloquear esses receptores, o FILSPARI pode diminuir a pressão e outros estímulos prejudiciais dentro dos glomérulos, reduzindo a quantidade de proteínas eliminadas pela urina e ajudando a preservar a função renal.
Como o medicamento é utilizado?
O FILSPARI é administrado por via oral e está disponível em comprimidos de 200 mg e 400 mg.
Para adultos com nefropatia por IgA, a bula norte-americana recomenda iniciar com 200 mg uma vez ao dia e, após 14 dias, aumentar para 400 mg uma vez ao dia, conforme a tolerabilidade.
Para pacientes com GESF, a dose inicial depende do peso corporal e da idade, sendo posteriormente ajustada de acordo com a tolerância. O medicamento deve ser utilizado exclusivamente com acompanhamento médico.
Antes do início do tratamento, são necessários exames e acompanhamento da função hepática. A bula também recomenda monitoramento periódico das enzimas do fígado durante o tratamento.
Quais são os possíveis efeitos colaterais?
Entre as reações adversas associadas ao FILSPARI estão pressão arterial baixa, aumento do potássio no sangue, tontura e inchaço nas extremidades. Lesão renal aguda também pode ocorrer.
O medicamento possui ainda alertas importantes relacionados à toxicidade hepática e ao risco de danos ao feto. Por isso, o FILSPARI é contraindicado durante a gravidez e exige medidas específicas de prevenção da gestação durante o tratamento.
Por apresentar interações importantes com outros medicamentos que atuam sobre os sistemas da angiotensina e da endotelina, o tratamento deve ser conduzido pelo médico responsável.
Resultados observados nos estudos
Um dos principais estudos clínicos do sparsentan em pacientes com nefropatia por IgA foi o PROTECT, que avaliou 404 adultos.
Segundo a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), após 36 semanas, a quantidade de proteína eliminada na urina caiu, em média, 50% entre os pacientes tratados com FILSPARI, contra 15% entre aqueles que receberam irbesartana. Após dois anos, as reduções foram de aproximadamente 43% e 4%, respectivamente.
Os resultados também indicaram uma redução mais lenta da perda da função renal nos pacientes tratados com sparsentan.
Esses resultados não significam que o medicamento cure a doença. O objetivo do tratamento é reduzir a proteinúria e retardar a progressão da doença renal, ajudando a preservar a função dos rins.
Importação do FILSPARI
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